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02.03.21

GLAMOUR Mulheres do Ano Gamechangers na música: Little Mix em sua década no topo e uma nova vida como um trio:

Leigh-Anne Pinnock, 29, Jade Thirlwall, 28, Jesy Nelson, 29, e Perrie Edwards, 27, se tornaram o maior grupo feminino do mundo como quarteto. Agora, enquanto Little Mix ganha o prêmio Mulheres do Ano da GLAMOUR por serem Gamechangers (mudaram o jogo) na música – tanto dentro quanto fora do palco – e começa um novo capítulo como um trio, elas se abrem para Josh Smith sobre como o ano passado foi o ano em que mais houve mudanças até agora em um reinado de uma década no topo da música pop.

Tendo entrevistado Little Mix sete vezes, tanto em grupo quanto individualmente para suas primeiras entrevistas solo, houve risos, lágrimas, o mais forte dos abraços e muito humor. Discutimos tudo, desde como a ansiedade paralisava Perrie e a deixou incapaz de sair de casa, o racismo online que Leigh-Anne enfrentou, a aliança de Jade com a comunidade LGBTQA + e como as experiências de Jesy com trolls a deixaram tentada a cometer suicídio. Nós até discutimos como Jade aprendeu a limpar o banheiro pela primeira vez no primeiro confinamento, mostrando que nossas conversas tiveram tanto alcance quanto os vocais das meninas.

Em todas as nossas conversas, a “irmandade” tem sido o centro – então, de todas as previsões possíveis sobre o que seu futuro reservava, uma delas deixando o grupo mais cedo é a última coisa que eu teria previsto. Ainda assim, em 14 de dezembro, após o anúncio em novembro de que faria uma pausa prolongada da banda, Jesy decidiu deixar o grupo permanentemente, afirmando que apesar de ser “o momento mais incrível da minha vida… recentemente, estar na banda realmente afetou minha saúde mental”.  Em troca, as meninas disseram em um comunicado: “Este é um momento incrivelmente triste para todos nós, mas apoiamos totalmente a Jesy. Nós a amamos muito e concordamos que é muito importante que ela faça o que é certo para sua saúde mental e bem-estar.” Seus fãs – carinhosamente chamados de ‘Mixers’ pela banda – estavam de luto.

Hoje, três meses depois, enquanto ampliam suas respectivas casas dentro e fora de Londres – todas elas estão vestidas com seus melhores trajes de lazer, que vão desde o macacão tie-dye de Leigh-Anne até a camiseta Christopher Kane de Jade com o estampado ‘Sexo’ – a irmandade segue sendo protetora com sua ex-colega de banda como sempre foram. Elas mantêm nossa conversa de uma hora firmemente sobre o futuro do Little Mix e, respeitosamente, não abordam a decisão pessoal de Jesy de deixar o grupo.

Foi bom entrar no novo ano, como um trio, com o single nº 1”, diz Perrie com orgulho, referindo-se a Sweet Melody, que também se tornou o single da Little Mix a ficar mais tempo no Top 10 até hoje. É um momento que Perrie está chamando de “bom presságio” para seu novo capítulo, ao qual todas concordam.

Eu me pergunto como fazer uma pausa forçada no ano passado devido ao surto da Covid-19 – depois de passarem tanto tempo juntas – e a mudança resultante na formação do grupo as fez refletir sobre seu tempo e posição no grupo.

Deu a todos uma perspectiva do que você realmente ama fazer na vida”, Jade responde em seu sotaque Geordie, explodindo de entusiasmo porque ela está “tão animada para conhecer novas pessoas” fora do seu apartamento.

“Não estou dizendo que somos co-dependentes, mas contamos muito umas com as outras, por isso tem sido saudável dar um passo para trás e pensar: ‘O que eu quero?’ e a medida em que nos reunirmos e trabalharmos juntas neste ano, teremos um relacionamento ainda melhor e mais saudável. É lindo que ainda sejamos um grupo, mas queremos ajudar a empurrar umas as outras para fazermos nossas próprias coisas também. É como um novo amanhecer de Little Mix.”

“É definitivamente importante. Isso vai levar algum tempo. Não é algo que acontece durante a noite para o dia depois de estarmos juntas 24 horas por dia, 7 dias por semana” completa Jade.

“Está tudo bem” Perrie tranquiliza Jade – algo que elas fazem umas pelas outras ao longo de nossa entrevista. “Sempre tivemos umas as outras, é sempre o Little Mix – somos nós.”

“Você sabe o quê?” Jade percebe uma coisa. “Aprendi enquanto estava morando com Jordan (Stephens, seu namorado e estrela de Rizzle Kicks) ou Holly (sua colega de apartamento), se eles me perguntam coisas ou me pedem para decidir algo, eu automaticamente digo, ‘O que vocês acham?’ E fico tipo, ‘Oh, elas não estão aqui,’” Jade acrescenta em seu tom de Geordie, fingindo estar procurando por suas companheiras de banda. “Esqueci que posso tomar decisões sozinha. É uma sensação muito estranha.”

Com tudo o que elas conquistaram nos dez anos desde que se tornaram o primeiro grupo a vencer o The X Factor em 2011, é um milagre elas terem tido tempo para pensar, quanto mais para tomar decisões. Desde a noite da final – quando eu saí com as palavras ‘LITTLE MIX 2 WIN’ escritas em marcador permanente no meu antebraço como uma homenagem à tatuagem The Female Boss de sua mentora Tulisa – elas se tornaram oficialmente a maior banda feminina do mundo.

Com seus hinos-pops que vão desde o primeiro single Wings até Black Magic e Shout Out To My Ex, Leigh-Anne afirma com razão: “Nós fizemos música para impulsionar as pessoas, fazer as pessoas felizes e inspirá-las.” E se combinaram para criarem seis álbuns de estúdio, 27 singles – dois dos quais alcançaram o cobiçado status de multi-platina – vendas de mais de 50 milhões de álbuns e singles em todo o mundo, 100 indicações para prêmios, 48 vitórias, incluindo dois Brit Awards, seis MTV Europe Music Awards e agora quatro prêmios GLAMOR Women of the Year. Ah, e elas lançaram cinco turnês mundiais com sua última, The Confetti Tour, remarcada para o próximo ano. Elas têm uma fortuna coletiva estimada de £ 24 milhões – em 2019, sendo que elas ganharam £ 11,2 milhões apenas em turnês.

Essas turnês não só entraram para o ranking das mais lucrativas por um grupo feminino, como também se tornaram o fórum de discussão de tópicos sobre a “mudança de jogo”. Em sua última apresentação na Arena O2 de Londres, elas voaram para o palco com um chamado do feminismo, dedicaram sua música Secret Love Song à comunidade LGBTQ+ e até passaram um vídeo de Piers Morgan, mostrando como ele as atacou continuamente por conta da nudez em um de seus clipes e pelo que elas vestem.

“Nós mostramos que quando mulheres se unem as coisas funcionam, mesmo com todos os obstáculos em nosso caminho. Desde o começo fomos subestimadas no X Factor e ninguém esperava que fossemos ir tão bem”, disse Jade.

“Depois disso, todos começaram a dizer, ‘Elas vão lançar um single, talvez um álbum e vão ser descartadas.’ Perseveramos e passamos por isso. Crescemos e nos tornamos mulheres adultas juntas. É muito impactante mostrar para os outros que se pode ter longevidade, você pode quebrar barreiras, ganhar prêmios e quebrar recordes através da união e sendo uma força para as mulheres. Se eu tivesse uma menina, vendo isso se desenrolar diante de seus olhos, dos dez aos 20 anos, que grande coisa é ter isso na indústria pop como uma mensagem para as mulheres jovens.”

Sendo muito sincera sobre a ligação entre elas, Leigh-Anne continua:

“Acho que o nosso senso de irmandade é o melhor para quando enfrentamos tempos ruins juntas durante os anos ou se irritamos umas as outras, porque nunca foi uma opção não estarmos juntas e sempre soubemos que somos irmãs. Isso te ajuda a aprender a perdoar, ser mais paciente e mais compromissada porque você está numa dinâmica de grupo onde ou isso acontece ou vocês não permanecem juntas.”

Com todos esses elogios, estou curioso para saber de qual conquista pessoal elas tem mais orgulho até o momento?

“Uma coisa que tivemos que fazer em nossa carreira, que é difícil, é ser corajosa,Perrie responde. “Todos nós estamos enfrentando a pior situação de nossas vidas. Só queremos ficar na cama, ficar embaixo do edredom e nunca mais sair. Mas você sabe que existem pessoas que dependem de você, existem 3 outras garotas que precisam de você, têm todos os fãs ao redor do mundo; você não quer ter uma reputação ruim.”

O momento de maior orgulho de Leigh-Anne também envolve o desafio de ter uma plataforma – coletivamente elas tem 63 milhões de seguidores em todas as redes sociais – e usar para uma boa causa.

“Tenho orgulho de ter falado sobre a minha experiência com o racismo. [que será o tópico de seu documentário pela BBC3 mais tarde neste ano]. Eu tinha muito medo de fazer isso no passado. Agora tenho a coragem. Sinto que me encontrei.”

Encontrar seu lugar em uma indústria que tem raízes profundas na misoginia – como Perrie disse: “A primeira coisa que uma mulher é questionada na indústria musical é sobre namorados,” – é definitivamente não ser subestimada e aprender a navegar o que levou anos para cada uma delas. O controle das mulheres na indústria musical é um tópico em alta quando conversamos, devido ao documentário do New York Times, ‘Framing Britney Spears, que todos nós assistimos e como Leigh-Anne disse, “Meu Deus, isso me irrita”.

“Passamos muito tempo sendo inferiorizadas, principalmente por homens na indústria”, Jade reitera. Leigh-Anne continua:

“Sempre tivemos uma voz como um quarteto, formamos uma força e sempre estivemos muito unidas. Mas houve fases, com as gravadoras por exemplo, onde eles nos jogaram para o canto e obviamente a maioria eram homens, eles nos viam como quatro mulheres e não nos levavam a sério. Enfrentamos isso durante toda a nossa carreira. Até mesmo recentemente. Eu me pergunto, ‘O quanto isso realmente mudou?'”

O que mudou foi a confiança delas em falar sobre o que elas acreditam. Por exemplo, se autodenominar feministas foi algo que elas deixaram de conversar sobre em entrevistas por muito tempo.

“Há alguns anos, estávamos no tapete vermelho e um reporter colocou o microfone em nossas caras e perguntou de uma maneira muito negativa, ‘Vimos que vocês se dizem feministas, é verdade?’ afirma Perrie. “Naquele tempo todas ficaram com medo, era um tabu muito grande e nisso estávamos autorizadas a falar sobre e é por isso que sempre evitamos esse tópico. Como mulheres na indústria, já é difícil o suficiente sem se posicionar, basta apenas um deslize e tudo é tirado de contexto. Sempre estivemos com medo de isso acontecer, odiamos aquilo. É por isso que sempre falávamos qualquer coisa.

“Uma pessoa muito sábia uma vez me disse, ‘Quando os livros de história são escritos, o que vai estar escrito próximo ao seu nome?’, é uma frase tão importante porque sabe de uma coisa, estamos usando nossa voz para inspirar pessoas,” enfatiza Leigh-Anne.

“Aprender a dizer ‘não’ têm sido muito importante para nós”Jade acrescenta. “Por muito tempo tinhamos medo de irritar as pessoas – e sermos jogadas para escanteio e é tipo, ‘Bem, se você não fizer isso, você não pode ter isso.’

Perrie entra com uma palavra para descrever a situação: “Chantagem“. Jade concorda, “É estranho que isso ainda aconteça, mas de repente, quando esse poder é tirado de quem abusa de você, você entende, se eu apenas disser ‘não’ com mais frequência e nos juntarmos nessa decisão, funciona!”

Leigh-Anne concorda:

“A percepção, também, foi de que somos parte de uma máquina. Somos peões nisso. As pessoas não se importam de verdade conosco. Quando entendemos que temos umas as outras , podemos nos proteger e saber que nem todos querem o nosso bem – mas estamos unidas – podemos ficar firmes juntas e lutar por nós mesmas.”

Tomar a decisão como um grupo de deixar a gravadora, Syco, em 2018 – forçando Simon Cowell a reconquistar o controle que ele tinha sobre elas – é um testamento disso. E como o seu hit recente Not A Pop Song diz, ‘Eu não faço o que Simon diz / Entenda de uma vez / Essa é a vida e ela nunca é justa / Dizem pra seguir qualquer sonho / Ser uma marionete / Funciona pra você mas essa não sou eu’ – elas estavam de saco cheio de serem controladas.

“Somos uma marca, mas a diferença é que nós sabemos que somos uma marca e tiramos vantagem disso para o nosso próprio benefício. Usamos disso para nós mesmas, não para as outras pessoas,” Perrie afirma em união à suas companheiras.

A decisão foi muito difícil e levou a um dos momentos mais raros do grupo em que poderia ter sido reduzido a uma ‘falha’, mas até nesses momentos – Jade menciona “se estabelecer no mercado americano” como outro desses momento – elas se dedicam em olhar tudo isso como uma oportunidade para o empoderamento brilhar.

“Deixar a gravadora foi um grande passo para nós,” Leigh-Anne disse.

“Mas como o LM5 (o quinto álbum que inclui hits como Woman Like Me) foi lançado nesta época, não teve o reconhecimento que merecia. Com tudo que aconteceu, foi um pouco desvalorizado e nós sempre olhamos para isso – principalmente Jade e eu (que participaram da composição da maioria das músicas) – e pensamos o quão irritante isso é, porque trabalhamos muito nele! Mas você tem que pensar, ‘Sabe de uma coisa, nos mativemos firmes, e fizemos isso por um motivo!”

Enquanto nosso tempo juntos acaba, eu pergunto se elas assumiram o comando em nome daquelas garotas de olhos brilhantes e cheios de sonhos, que fizeram o teste para o The X Factor há anos atrás.

“Eu ainda fico muito nervosa no palco”, Jade revela. “Uma das coisas que comecei a fazer – quando penso que não sou boa o suficiente ou estou prestes a me cagar de medo – é imaginar a pequena Jade sentada lá como minha maior fã me dizendo, ‘Meu Deus, é isso que você conquistou!’ Tenho que me lembrar o quão longe eu cheguei algumas vezes, sofri da síndrome do impostor, onde eu fico tipo ‘Como eu consegui convencer todo mundo que eu estou na maior girlgroup do mundo e eu sou realmente talentosa, quando na verdade eu não sou isso’. A pequena Jade apenas se senta alí e diz ‘Jade, meu amor, você arrasou, estou tão orgulhosa de você’. Então eu me sinto bem comigo mesma novamente.”

Leigh-Anne concorda, “Não sinto que consigo me reconhecer, aquela garota do passado. O crescimento da minha confiança, é algo que eu nunca vi.”

É evidente que ser parte da Little Mix foi algo que “mudou o jogo” para elas, como pessoas, o que Perrie transmite perfeitamente.

“Eu era uma garota muito assustada que queria a mãe a todo momento, até mesmo quando eu tinha 15, 16 anos. Quando eu ia no McDonalds e precisava de ketchup, eu não iria me levantar e pedir porque era muito tímida. Ou se eu fosse pra um buffet, eu não levantaria com meu prato e pegaria comida a não ser que meu pai fosse comigo, porque se alguém olhasse pra mim eu me cagaria. Mesmo se minha mãe ou meu pai me pedissem pra cantar, eu ficava tipo ‘Ok, mas coloque uma toalha na sua cabeça’. Agora, assim que pisamos no palco e ouvimos o rugido da multidão você só pensa, ‘Meu Deus, isso é incrível!’, mas assim que saímos do palco somos apenas essas garotas bobas.

E é por isso que amamos Little Mix – que elas reinem por muito tempo sobre nós.

Fonte: Glamour UK Magazine. Tradução e adaptação: Equipe Little Mix Brasil

 

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