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30.05.21

A maior banda feminina do mundo fala sobre o sexismo da indústria, as barreiras enfrentadas pela classe artística e as pressões de crescer aos olhos do público.

Existe alguma coisa que a Little Mix não pode fazer? Com turnês mundiais, cinco álbuns certificados como platina e colaborações com nomes como Nicki Minaj, o currículo delas parece a lista de desejos de toda jovem cantando com sua escova de cabelo e sonhando com o estrelato pop. 

Mas o que você deve saber sobre Little Mix – que consiste em Geordies Jade Thirlwall e Perrie Edwards, ao lado da sulista Leigh-Anne Pinnock – é que elas criaram o hábito de transformar sonhos em realidade. Originalmente formadas no concurso de talentos The X Factor, foi o talento bruto e carisma natural delas que traduziram o que poderiam ter sido meros cinco minutos de fama em uma carreira de uma década. Armadas com seu pop animador – todas músicas triunfos épicos, energia efervescente e vocais crescentes – elas ajudam a melhorar o dia a dia, dando uma nova vibração e significado às experiências familiares de amor e perda.

Mas a Little Mix não se contenta em tocar vidas apenas por meio de sua música. Nos últimos anos, elas se tornaram algumas das artistas mais francas da cultura pop do Reino Unido. Com Leigh-Anne se abrindo sobre suas experiências de racismo no documentário da BBC Race, Pop & Power e Jade e Perrie revelando suas respectivas lutas contra o transtorno alimentar e a ansiedade, bem como a defesa incansável do grupo em relação a cultura LGBTQIA+, as meninas desafiam os pessimistas sexistas que dizem que elas deveriam ficar caladas sobre as questões sociais e guardar suas opiniões para si mesmas. 

Agora, após a saída do quarto membro Jesy Nelson em dezembro de 2020, a banda está se preparando para entrar em seu período mais corajoso – um período que está cheio de coração, alma e, claro, hinos. Para comemorar essa nova fase e marcar o lançamento de “Heartbreak Anthem”, colaboração com o duo Galantis e David Guetta, conversamos com Jade, Perrie e Leigh-Anne para discutir como crescer aos olhos do público, advogar pelos direitos trans no cenário global e mudar o mundo.

Em primeiro lugar, adoraria saber como foi suas experiências de quarentena. Como foi ter todo esse tempo de inatividade? Deve ter sido um grande ajuste.

Leigh-Anne Pinnock:  Para nós, foi incrível poder parar e reservar um tempo para nós mesmas. Foi realmente positivo sair da quarentena sabendo que não há problema em desacelerar. Definitivamente nos ensinou que o “vai, vai, vai” constantemente não é realmente saudável. Você realmente precisa de um tempo.

Olhando para o futuro, vocês acha que terão mais consciência de focar no presente momento enquanto calmamente reconhecem e aceitam os próprios sentimentos, pensamentos e sensações corporais?

Perrie Edwards:  Acho que sim. Isso nos deu um pouco de perspectiva sobre o que realmente é importante na vida. Por meio da quarentena, definitivamente aprendemos a prática de focar no presente momento, colocando-se em primeiro lugar e em maneiras diferentes de lidar com as lutas que você enfrenta e com sua saúde mental de maneira positiva.

saúde mental é  um assunto importante para vocês? Eu sei que vocês já se abriram sobre suas lutas antes.

Jade Thirlwall: Assim como a maioria das pessoas, todas nós passamos [por lutas de saúde mental] de alguma forma. Só nos últimos anos é que todo mundo está falando mais e mais sobre isso, então está se tornando um pouco mais normalizado. É bom ver que há conversas mais abertas sobre saúde mental. Como artistas, [falar sobre saúde mental] mostra aos nossos fãs que eles não estão sozinhos sejam no que estejam sentindo ou no que enfrentem. E suponho que incentive as pessoas que nos colocam em um pedestal a lembrar que somos humanas. A saúde mental não possui limites quando se trata de raça, gênero ou trabalho. Pode afetar qualquer pessoa e a todos.

Vocês sentem a responsabilidade de falar sobre isso, considerando que vocês possuem uma plataforma tão grande?

PE:  Nós apenas tentamos ser tão abertas e honestas quanto nós podemos e usar as nossas plataformas para o bem. Quando nos abrimos sobre as nossas lutas, o que passamos individualmente e o que passamos como um grupo na indústria, isso ressoa com as pessoas. Muitas pessoas podem se identificar com isso. Se nos manifestarmos e pudermos ajudar pelo menos uma pessoa, faremos a diferença.

Sobre fazer mudanças, não consigo pensar em muitos grandes grupos pop ou artistas musicais que mostraram seu apoio às pessoas trans – mas vocês sim. Por que a aliança com a comunidade queer é importante para vocês?

JT: Estamos muito cientes de que temos uma influência, principalmente sobre nossos fãs mais jovens. É importante mostrar aos nossos fãs dessa comunidade que eles são aceitos, que os amamos e que eles devem ser celebrados – e encorajar outras pessoas a participarem disso. É na verdade bom senso. Eu sempre acho estranho quando as pessoas me perguntam por que sou uma aliada, porque realmente não é preciso muito para ser isso. Temos uma grande base de fãs e, dentro dessa base de fãs, temos muitos fãs LGBTQIA+. Estaríamos prestando um péssimo serviço a eles se estivéssemos nos beneficiando de sua lealdade para conosco, mas não falássemos por eles. Eu realmente espero que, ao fazer isso, encorajemos outros artistas e outras pessoas públicas a fazerem o mesmo. Infelizmente, ainda há tanto ódio e transfobia em nosso país e nós postarmos e conversamos sobre isso, esperamos que ajudem as coisas a progredirem.

É revigorante ver a Little Mix ser tão franca. Parece que apenas recentemente as mulheres que estão sob os olhos do público têm tido permissão para fazer as suas vozes serem ouvidas, vinte ou mesmo dez anos atrás elas simplesmente não tinham esse espaço.

JT: Definitivamente, há um longo caminho a percorrer quando se trata de mulheres poderem falar sobre misoginia e suas experiências na indústria do entretenimento. As mulheres ainda não recebem o mesmo valor que os homens e ainda sofrem sexismo ou assédio no local de trabalho. Essas coisas obviamente existem, mas começamos a sentir que há mais uma plataforma e um entendimento, e quando falamos, estamos realmente sendo ouvidas e compreendidas. Há força na solidariedade das mulheres que se defendem e fazem mais barulho sobre isso, principalmente nas redes sociais.

Quando se trata de seu trabalho, vocês tem muito controle sobre sua produção e criatividade, mas não acho que isso seja amplamente apreciado ou conhecido. Vocês acham que a culpa é do sexismo?

LA P: Eu sinto que é por estar em um grupo pop feminino. As pessoas presumem que não devemos ter voz ou que não temos muito a dizer ou que não escrevemos nossas próprias músicas. Isso tem sido uma coisa contínua, mas fizemos tudo ao nosso alcance para, bem, nos livrarmos completamente desse estereótipo. Só porque estamos em um grupo de garotas, não significa que não fazemos nossas próprias coisas. Tudo vem de nós e sempre foi assim. Nós apenas rimos das pessoas que não têm nada de bom a dizer sobre isso, para ser honesta. Nós sabemos quem somos e o que fazemos. Estou muito orgulhosa de como defendemos as coisas e como usamos nossa voz.

Existem  outros conceitos errados sobre vocês?

LA P: Por onde começamos?

JT: Demorou muito para provar à indústria que tínhamos credibilidade o suficiente para sermos dignas de reconhecimento. Eu acho que isso veio por sermos de um show de talentos e de estar em um grupo feminino. Sempre sentimos que somos azarões e temos que provar que as pessoas estão erradas, o que gostamos bastante na verdade, e somos muito boas nisso. Depois, há o [equívoco] de que há animosidade entre nós três. Esse é popular. Sempre vemos histórias inventadas sobre nós nos jornais. Só temos que aprender a ignorar.

Deve ter sido muito  difícil quando vocês apareceram pela primeira vez aos olhos do público e ver toda essa desinformação sobre vocês na imprensa – eu lembro que vocês eram tão jovens quando entraram nos charts pela primeira vez.

JT:  Tínhamos literalmente 18,19 anos quando fomos colocadas no grupo. Crescemos como mulheres dentro da indústria e perante o público. No começo era muita coisa para enfrentar e se acostumar, o constante escrutínio.

Qual conselho vocês dariam para as garotas em uma posição semelhante às suas?

PE:  Só não se percam. Não tentem atender a todas as pessoas porque vocês nunca agradarão a todos. Façam o que te deixa feliz e aproveitem o percurso.

Com o governo continuando a cortar fundos para programas artísticos e para a educação criativa nas escolas, fica claro que muitos jovens de famílias de baixa renda não têm muitas oportunidades de seguir carreira na música. Isso é algo que as preocupam?

JT:  Quando se trata de artes e quando se trata de talento, qualquer um  –  se você tem isso em você, se é algo que você gosta e se é uma paixão – pode ser um grande artista. Alguns dos maiores ícones e lendas possuem origens da classe trabalhadora, nós precisamos encorajar isso tanto quanto pudermos e ter certeza de que o governo está apoiando isso e dando aos jovens a oportunidade de viver seus sonhos e ter um carreira na indústria. Nós somos muito gratas por todas nós virmos de origens da classe trabalhadora e tivemos a sorte de entrar em um programa e receber uma plataforma. Foi um processo difícil para nós, mas definitivamente não é fácil para quem está tentando fazer isso do zero. É o financiamento do governo que o ajuda a melhorar seu trabalho e lhe dá essa oportunidade.

Como grupo, vocês passaram por muitas mudanças recentemente. Diga-nos, o que está em jogo para a nova era de Little Mix?

PE: Por um lado, é um novo começo porque somos três. Temos tantas coisas emocionantes planejadas, tantas músicas e algumas colaborações incríveis. Há muito para se animar, tanto para nossos fãs quanto para nós. Então, obviamente, estaremos em turnê no próximo ano. Nós literalmente mal podemos esperar para entrar em turnê, ela foi adiada duas vezes agora, então estamos ansiosas por 2022.

Falamos muito ao longo desta entrevista sobre as maneiras pelas quais vocês desejam usar sua influência para mudar as coisas para melhor. Para finalizar, qual vocês desejam que seja o legado da Little Mix?

LA P: Quando as pessoas pensam em Little Mix, quero que pensem: “Elas fizeram alguns hinos, usaram a voz para o bem, elas falaram sobre coisas que não estavam certas e mudaram o mundo”. Você conhece aqueles artistas que ativamente fazem mudanças? Eu adoraria que as pessoas pensassem em nós nessa categoria.

PE:  Tipo, “Deus, aquelas meninas me fizeram sentir muito bem comigo mesmo, elas me deram tanta confiança, elas realmente deixaram sua marca”. Sim, isso seria glorioso...

JT: [Em tom de brincadeira] Lendas, querida, queremos ser lendas!

 

O single “Confetti” da Little Mix com Saweetie já foi lançado, assim como sua colaboração com Galantis e David Guetta, “Heartbreak Anthem“.

Fonte: Hunger Magazine. Tradução e adaptação: Equipe BRLM.

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