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06.05.21

Em seus primeiros dias com o grupo feminino, Pinnock se sentia invisível e não conseguia entender por quê. Então o assunto sobre racismo ficou evidente.

Leigh-Anne Pinnock vive o sonho de uma estrela pop desde os 19 anos de idade quando subiu no palco para fazer um teste para o The X Factor, cantando Only Girl (In the World) da cantora Rihanna. Ela já passou quase uma década em um dos maiores grupos femininos do Reino Unido. Mas ela teve um começo difícil com a Little Mix, e não porque ela não se dava bem com suas companheiras de banda. Ela se sentia “invisível” e costumava chorar na frente de seu “manager”.

“Eu simplesmente não conseguia encontrar meu lugar e não sabia o por quê”, disse ela em uma entrevista em 2018. “Eu não sentia que tinha tantos fãs quanto as outras garotas. Foi um sentimento estranho.”

A cantora, naquele momento, finalmente percebeu qual era o problema.

“Eu sei que existem garotas negras por aí que sentem o mesmo que eu”, disse ela. “Temos um grande problema com o racismo, que está embutido em nossa sociedade.”

Se ela esperava que a entrevista mudasse alguma coisa, ficou desapontada.

“Eu realmente senti como se tivesse entrado por um ouvido e saído por outro”, diz ela hoje, falando da mansão Surrey que ela divide com seu noivo jogador de futebol, Andre Gray.

“Era quase como se as pessoas ainda não estivessem prontas para falar sobre raça.”

Agora ela está tentando de novo, como protagonista de um documentário da BBC Three, intitulado como “Leigh-Anne: Race, Pop & Power”.

“A maior parte do documentário sou eu falando sobre minhas experiências, sendo a integrante negra da minha banda no meu mundo pop muito branco”, diz ela. “Eu realmente queria que as pessoas vissem que só porque sou bem-sucedida não significa que eu não serei afetada pelo racismo.”

O documentário foi gravado no ano de 2020, um ano em que convergiu o assassinato de George Floyd e a quarentena da Covid-19, o que proporcionou a muitas pessoas um tempo incomum para refletir sobre o racismo na sociedade.

A própria declaração de Pinnock, num vídeo de cinco minutos postado no Instagram, se tornou viral em junho, com 3,5 milhões de visualizações. Além de enviar suas condolências à “família de George Floyd e a todas as outras famílias que perderam alguém devido à brutalidade policial e ao racismo”, ela falou sobre a solidão que sentiu durante as turnês em países “predominantemente brancos”.

“Eu canto para os fãs que não me veem, não me ouvem, nem me animam”, disse ela. “Minha realidade é me sentir ansiosa antes de eventos de fãs ou sessões de autógrafos porque eu sempre me sinto excluída.”

O documentário surgiu de uma conversa durante um jantar com antigos colegas de escola.

“Leigh-Anne se abriu para mim, pela primeira vez, sobre como ela se sentia em relação as suas experiências na banda”, diz Tash Gaunt, diretor que trabalhou com a BBC e o Channel 4. “Ela estava tendo uma série de percepções bastante dolorosas sobre o quão profundamente racista o mundo é, e se ela identificar [um problema], ela quer fazer algo a respeito”.

Os dois uniram forças e o ativismo do Black Lives Matter (BLM) no verão de 2020 deu a eles um renovado senso de missão.

“Sempre quisemos fazer algo que fosse complicado e que realmente desafiasse o público”, diz Gaunt. “Algo que se aproxima das conversas difíceis, ao invés de evitar o assunto.”

Em uma das primeiras cenas, Pinnock literalmente participa de uma conversa em um protesto do movimento BLM em Londres e pergunta como os jovens ativistas acham que ela deveria usar sua plataforma. Eles respondem que ela deve se educar e falar abertamente. Mais tarde, ela repreende o noivo Gray por uma série de tweets que ele postou antes de eles se conhecerem, descrevendo-os como “um exemplo flagrante de colorismo”. Ela também se senta com seus pais – ambos criados por um pai negro e uma mãe branca – para discutir a identidade racial. (“Eu me identifico como John Pinnock”, diz o pai dela, sem rodeios.)

Racismo  não era algo muito discutido em casa, em High Wycombe, quando Pinnock e suas duas irmãs estavam crescendo. Seu pai (mecânico) e mãe (professora) “foram ambos criados em famílias caribenhas, então, por sua vez, fomos criados em uma família caribenha, mas eles não tiveram ‘a conversa’ conosco. Eles não disseram:Olha, a vida vai ser difícil para você porque você é mestiça’.

Ela não encontrou nenhum racismo em sua escola secundária em Buckinghamshire, que ela descreve como “muito multicultural”, e olhando para trás ela entende o desejo de seus pais de isolar os seus filhos do resto do mundo. No entanto, ela revela:

“Se tivéssemos tido essa conversa, provavelmente eu estaria mais preparada para quando fosse colocada no grupo”.

Depois de tanto tempo como uma mulher negra aos olhos do público, Pinnock estava preparada para o tipo de reação raivosa que o documentário já recebeu de pessoas que, como ela diz, “não querem entender o racismo, não ligam para o racismo. Eles nunca se importaram.”

No entanto, assim que o projeto foi anunciado, uma reação diferente começou. O título provisório, Leigh-Anne: Colourism & Race, levou alguns a concluir que Pinnock estaria falando da discriminação baseada no tom de pele dentro da comunidade negra, de uma forma que ignorava o seu próprio privilégio por ser negra com a pele clara. É uma crítica que ela quer abordar de frente.

“Eu conheço meu privilégio, e o que exploro no documentário é o fato de que se eu fosse negra retinta, provavelmente nem estaria aqui.”

A decisão de incluir as vozes das mulheres negras retintas não foi uma tentativa precipitada de abafar as críticas:

“Definitivamente foi sempre o plano, 100%. Já sabemos que não há representação suficiente de mulheres de pele escura na mídia – isso é apenas um fato.”

 

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