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29.05.21

Nota: 4 de 5 estrelas

A cantora Leigh-Anne Pinnock fala sobre o preconceito no mundo da música e sobre o sentimento de invisibilidade por causa da cor de sua pele neste documentário elucidativo.

Leigh-Anne: Race, Pop and Power (BBC One) é o segundo documentário liderado por uma integrante da Little Mix. Em 2019, a agora ex-integrante da banda, Jesy Nelson fez Odd One Out, um documentário confessional sobre os efeitos catastróficos das redes sociais na saúde mental de mulheres jovens famosas. Foi o precursor de uma série de outros documentários sobre um tema semelhante que se seguiram.

Este é um documentário mais aberto e colaborativo, fazendo tanto perguntas quanto buscando respostas. Leigh-Anne Pinnock ficou muito famosa, muito rapidamente, muito jovem, depois que Little Mix se tornou o primeiro grupo feminino a vencer o The X Factor, na época em que o programa ainda era relevante. Elas agora são a maior banda feminina do mundo, apesar de reduzir sua formação original para um trio em dezembro do ano passado, e recentemente se tornou a primeira banda feminina a ganhar o prêmio de Melhor Grupo Britânico no Brits Awards.

Para seus fãs, muitos dos quais também são mulheres jovens, seu apelo está em sua imagem identificável. Elas parecem legais, engraçadas e pés no chão. No início deste documentário, porém, Pinnock revela que houve complicações desde o início.

Às vezes, eu sentia que estava sendo tratada de maneira diferente de minhas parceiras de banda por causa da cor da minha pele” explica ela, lembrando-se de ocasiões dolorosas em que foi ignorada pelos fãs enquanto as outras integrantes de banda não eram, e das inúmeras vezes que ela olhava ao redor das gravações ou de uma sala e via apenas pessoas brancas. “Foi algo que eu nunca poderia explicar totalmente”, diz ela, sobre o sentimento que persistiu.

Filmado no ano passado, e capturando o momento em que os protestos globais do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) trouxeram esses sentimentos para o foco, Race, Pop and Power é uma discussão que parece muito atrasada. Pinnock diz que o documentário é como uma chance de fazer perguntas que ela diz nunca ter se sentido capaz de fazer antes. Quando surgiram notícias de que o documentário estava sendo feito, Pinnock enfrentou críticas tanto de Tommy Robinson quanto de alguns membros da comunidade negra que questionavam porque uma mulher negra de pele clara seria o rosto de um programa como esse. Ela admite que tem medo de dizer a coisa errada e se preocupa com o fato de os fãs não quererem ouvi-la falando sobre questões sociais. Mas ela decide, simplesmente, que deve falar.

Prefiro dizer isso mesmo não sendo exatamente certo do que não dizer nada”, diz ela, o que, para alguém que está sob os olhos do público neste clima cultural atual, deve ser aplaudido.

Pinnock se senta com seus pais e fala sobre suas atitudes em relação à raça. A mãe é metade barbadiana e o pai de descendência jamaicana; os pais deles vieram para o Reino Unido na década de 1960 e se casaram com parceiros brancos. A mãe de Pinnock se identifica como negra. Seu pai “se identifica como John Pinnock”. Quando ele soube do documentário, ele disse a ela que seu primeiro pensamento foi: “Se fortaleça, controle-se, não reclame sobre isso.”

Ela conversa com seu noivo, o jogador de futebol de Watford Andre Gray, sobre antigos Tweets que ele postou que eram ofensivos sobre mulheres negras retintas. Eles falam sobre colorismo, erros, educação, informações, cultura e preconceito. É franco e elucidativo. O mesmo acontece com o painel de estrelas negras do pop, incluindo Alexandra Burke e Keisha Buchanan dos Sugababes, que se reúnem para falar sobre suas próprias experiências de racismo na indústria. É, diz Pinnock, como uma terapia.

Este é um período de transição no mundo da fama, à medida que as celebridades deixam de compartilhas palavras ensaiadas para dizer na mídia. Por muito tempo, um grupo como a Little Mix teria guardado suas opiniões para si mesmas, por medo de afastar os fãs ou os responsáveis por eles. Mas Pinnock dá a impressão de que já está farta disso. Ela fala sobre o The X Factor tingir seu cabelo de vermelho e raspar a lateral de sua cabeça, para torná-la “a Rihanna” da edição. “Está claro que minha cor estava sendo usada para definir minha imagem no grupo”, diz ela.

Mais tarde, ela tenta marcar uma reunião diante das câmeras com o presidente de sua gravadora, a Sony, apenas para ser disponibilizada a chefe de marketing, que é uma mulher negra. Ela está abertamente frustrada com o que vê como uma atitude de “vamos colocar duas mulheres negras em uma sala para resolver a questão do racismo”. “Bem, essa sou eu sendo largada pela gravadora”, ela brinca.

Gostei muito desse documentário atencioso, sensível e determinado. Parece ser voltado para um público mais jovem, mas os espectadores que podem se ver como velhos para gostarem da Little Mix vão achar que é proveitoso. Ele examina questões complicadas sem esperar respostas fáceis e observa Pinnock voltando os seus esforços para educar a si mesma e aos outros em um plano prático para encontrar e empregar mais artistas negros no Reino Unido. “Este é apenas o começo”, ela diz, e eu não duvido por um segundo.

Tradução e Adaptação: EquipeBRLM | Fonte: The Guardian

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