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18.11.21
Publicado por: Mel
Little Mix: O número mágico

Há dez anos dentro do jogo, Little Mix ainda estão no pico de seus poderes criativos. Na véspera de lançamento do seu Greatest Hits, elas falam sobre pop, pressões e as vantagens de irritar políticos.

Little Mix não é apenas uma girlband: elas são um GRUPO feminino. Já fazem dez anos dentro da indústria, com seis álbuns de estúdio, 27 singles, 100 indicações de premiações e um exército de fãs ao redor do mundo que não param de crescer, o recente trio que consiste de Jade Thirlwall, Leigh-Anne Pinnock e Perrie Edwards cementaram sua posição como um dos – se não “O” – grupos pop definitivos da nossa geração. Elas são compositoras, performers, ativistas, aliadas, mães e mulheres de negócios. E ainda assim com o passar dos anos, elas passaram uma quantidade enorme de tempo defendendo todas as opções acima/anteriores.

“Quando você vem de um programa como o The X Factor, sempre é presumido que você é um fantoche que apenas sobe no palco e te dizem o que fazer,” disse Jade. “Mas desde o começo, isso realmente não foi o nosso caso. O fato de que estamos juntas por 10 anos sugere que talvez nós estejamos fazendo um bom trabalho…”

Com suas vidas atadas a de “celebridade”, os fãs frequentemente tem estado frustrados com a maneira que Little Mix tem sido retratada na imprensa. Com o exemplo de um que colocou no Twitter, “Há mais sobre a Little Mix do que seus cachorros, namorados e atividades na quarentena.” E portanto, na véspera do lançamento de seu álbum de Greatest Hits “Between Us”, não haverá perguntas de tabloides: nada de bebês, namorados, treta fabricada. Para a ligaçao de vídeo feita pelo DIY (O website) via zoom com o grupo genuíno pop da realeza, estamos nos prendendo nas coisas que interessam; o que é preciso para prosperar no topo do jogo da música pop por uma década inteira e ainda aproveitar a companhia de cada uma.

Você sabe como a história original aconteceu depois desse tempo todo. Em 2011, quatro meninas da classe trabalhadora – Jade, Leigh-Anne, Perrie e Jesy Nelson – fizeram audição como solistas para o The X Factor, ingênuas e completamente despreparadas pelo que iria vir. Elas não passaram como solistas, mas foram colocadas juntas pelo olhar alquímico da lenda que surgiu de um girl group, Kelly Rowland, cativando a nação com sua animação colorida.Quando elas foram coroadas vitoriosas, elas foram catapultadas para dentro do redemoinho da percepção pública, agarrando-se umas as outras para sobreviver a tempestade.

“Fomos tão sortudas que nos gostamos, não é?” reflete Leigh-Anne. “Nós éramos tão jovens, eu acho que precisávamos umas das outras. Quando cantamos juntas pela primeira vez, foi tipo, nossa. Isso vai ser algo grande.”

“Honestamente, eu não consigo imaginar se eu teria sido capaz de fazer isso naquela época sozinha,” concorda Jade. “Eu acho que sabíamos desde cedo que queríamos ser a banda que teríamos gostado quando estávamos crescendo. Nós tivemos The Spice Girls, TLC, Destiny’s Child, mas já havia um tempo desde um grupo com aquele tipo de empoderamento feminino. Nós impomos certas barreiras para nós mesmas desde o início; não haveria uma vocalista líder, e nós concordamos coletivamente que o som seria pop com um pouco de R&B. Desde o começo, estivemos juntas em nossas decisões.”

Das harmonias doces de ‘Wings’ até a coreografia bombástica de ‘Sweet Melody’, é difícil de pensar em tantos grup os pop femininos que as integrantes estiveram tão igualitárias em seu crescimento coletivo. Cada garota teve sua justa divisão de figurinos que as destacavam, notas altas e compromissos extra-curriculares, e tem sido a mesma coisa com a composição de músicas; desde o começo, todas estiveram por dentro do processo criativo de suas músicas, elaboração de baladas dilacerantes e hinos com uma elegância igualitária.

No entanto, quando elas venceram o prêmio de Melhor Grupo Britânico no Brit Awards 2020 – o primeiro grupo feminino na história – numerosos artistas da cena do rock’n’roll entraram numa fila para opinar, incluindo Noel Gallagher. Afirmando que a banda “nem mesmo estava na mesma modalidade” que o Oasis, Noel Gallagher acusou a vitória das meninas, lamentando a difamação da música ‘de verdade’. Jade usou uma aparição no programa Never Mind the Buzzcocks para prover uma resposta lendária:

“Realmente é uma pena, de forma que somos o grupo feminino mais sucedido no país, mas ele nem mesmo é o performer mais sucedido na sua família.”

A recordação de sua fala abre nela um sorriso, mas Jade continua frustrada.

“Sempre é o homem que tende a estar a frente dessas bandas com destaque de instrumentais; a indústria como um todo é muito liderada por homens velhos brancos,” ela inicia. “Do começo, há a ideia de que mulheres não conseguem fazer tão bem quanto eles. É um estigma tão estranho; foi preciso seis anos para que eu e Leigh tivéssemos um contrato como compositoras, porque as pessoas simplesmente não acreditavam que pudéssemos compor. Só porque você não tem uma guitarra, não quer dizer que não é capaz de sentar numa sessão e criar músicas pop brilhantes. E isso é o que fazemos!”

“Nós trabalhamos tão duro, e estamos tentando fazer as coisas mudarem na indústria. Queremos continuar a mudar as opiniões das músicas.”Perrie Edwards

Apesar de que grupos femininos tenham encarado o sexismo, a formação do Little Mix na era do Twitter talvez tenham dado para elas um caminho mais duro do que daquelas que vieram anteriormente. Logo no início, elas deram seu melhor para se defenderem (veja ‘Reality’, uma captura sobre revistas de fofoca que não entrou no álbum de estreia), mas quando elas se separaram da Syco do Simon Cowell em 2018, fora permitido para elas finalmente falarem sobre variados problemas. Na linha de fogo veio as especulações sobre suas autonomias criativas, o controle da imagem corporal, e a sugestão maliciosa do vilão Piers Morgan de que a sensualidade que há em suas coreografias invalida o status de ‘modelo a ser seguido’, dando mal exemplo a seus fãs jovens.

“Você meio que tem que rir disso, porque é simplesmente o maior mimimi de todos,” disse Jade. “Para nós, metade dos motivos pelos quais nós usamos collants ou aqueles tipos de figurinos é pelo conforto – quando você faz um show de duas horas em um palco, você soa pra caramba! Nós sempre ignoramos essas opiniões, porque queremos mostrar a outras mulheres que você pode ser empoderada pelo seu próprio corpo, da maneira que quiser.”

Reforçadas pela quarta onda do feminimo da era digital, essas músicas tomaram um rumo ainda mais direto. Enquanto ‘Salute ‘ e ‘Shout Out To My Ex’ provaram há muito tempo a habilidade delas de compor um hino girl power, o lançamento de ‘LM5’ em 2018 marcou um passo em frente para o grupo, construindo um som maduro com informações profundamente pessoais – a positividade corporal de ‘Strip’, o amor próprio de ‘Joan Of Arc’ e a favorita dos fãs ‘Wasabi’ cheia de impecáveis dedos do meio (“A merda que os jornais escrevem sobre mim / Eu dobro igual origami”).

Não quebrando a quarta parede, mas demolindo-a, ‘Not A Pop Song (de ‘Confetti’ de 2020) provou ser um momento mais profundo de lançamento catártico, tratando da separação com o Cowell com comédia elegante.

“Nós sempre deixamos a música falar,” Jade assentiu. “Eu sinto que nós nunca realmente fomos vistas como artistas controversas, e esta música é sobre como nós não estamos tentando provar um ponto. Nós somos quem nós somos; somos artistas pop, e não vamos nos desculpar por isso, porque somos as melhores nisso. É SIM uma música pop. Aceitem!”

Não surpreendentemente, elas não ouviram um pio do homem.

“Não, não. Mas não há rixa [com Simon Cowell], Jade confirma.

No entanto, ela não consegue resistir a outro momento do Buzzcocks de ironia…

“Para falar a verdade, nós quase nunca vimos ele durante nossa carreira. Nós apenas aparecemos na casa dele algumas vezes para um jantar de graça, tá me entendendo?”

“Paraaaaaa!” exclama Leigh-Anne, dividida enquanto as outras entram em colapso enquanto riem.
“Mas sim, ele faz um ótimo jantar de assados.”

Apesar delas terem se desculpado pelo cansaço – “Fizemos 17 entrevistas ontem!” – o carisma natural e o bom humor de Little Mix te lembra de que elas realmente são um grupo com uma amizade genuína, todavia um que talvez esteja se contendo um pouco mais do que o normal em nome da diplomacia. DIY, como muitos outros, foram perguntados especificamente para não comentar sobre sua ex-colega, e os motivos são óbvios; apesar de que Jesy Nelson tenha deixado o grupo em aparente bons termos no final de 2020, as coisas azedaram um pouco mais tarde, com a nova solista envolta de acusações de blackfishing, de ser cúmplice em indiretas via redes sociais de Nicki Minaj, e pontuar – repetidamente – que ela não está mais falando com suas ex-colegas de grupo. Para um grupo cuja mensagem “nós contra todos” parecia ser o centro do seu apelo, tem sido um tempo difícil para os Mixers que não querem tomar lados.

Para seu crédito, as três integrantes restantes de Little Mix manteram-se quietas, mas confirmaram em recente entrevista que, anterior a partida de Jesy, preocupações sobre blackfishing foram comunicadas de uma “maneira educada e amigável”.

No entanto, a mudança de formação é uma parte inevitável da história do grupo, e apesar de que muito do ciclo da imprensa tenha centrado na Jesy – sua saúde mental, partida, insatifação contínua com o grupo – as coisas não devem ter sido fácil para as três restantes. Houve um momento em que elas pensaram, nós não queremos fazer isso também?

“Com certeza,” assente Perrie. “Eu acho que já chegamos nesse ponto uma hora ou outra. Houve um período de tempo em que eu literalmente voltava para casa e chorava toda noite e não sabia o que havia de errado comigo. Eu acho que era apenas cansaço; transbordando de trabalho, sentir como se não pudesse escapar. Você não consegue mudar a chavinha entre estar no grupo por uma semana e não ter nenhuma merda jogada em você.”

Opinativa sobre suas dificuldades com a ansiedade, Perrie aprendeu a falar sobre isso com suas colegas.

“Botar o que está sentindo para fora – eu consigo me virar e dizer, ‘estou com dificuldades de verdade, não sei se consigo fazer isso’, e assim que elas fizem ‘Amor, nós entendemos’, eu me sinto melhor. As vezes esqueço que não estou nessa sozinha. Tudo que experienciamos, nós experienciamos juntas pela primeira vez, e temos uma a outra pra chorar no ombro e deixar tudo melhor. O bom sempre, sempre, é maior que o ruim.”

“Acho que o que eu realmente amo sobre nós 3 é que todas já sofremos de alguma maneira, mas sempre garantimos que cada uma de nós tenha a oportunidade de contar nossa história da maneira certa,” disse Jade. “O que quer que estejamos passando, nós garantimos que ninguém esteja sentindo como se seus problemas não são tão importantes quanto o da outra pessoa. Então sim, obviamente uma grande mudança aconteceu conosco, mas este ano tem sido mais que tudo uma celebração. Uma década nesta indústria sem um fim; não são muitas as bandas que podem dizer o tal. Nós tivemos uma verdadeira mudança de energia neste ano apenas de sentirmos em paz umas com as outras; queremos agradecer cada uma e celebrar a vitória da outra não importa o que aconteça no futuro, e esse é um sentimento muito bom de se ter.”

Se a conversa do ‘não importa o que aconteça’ soe um pouco assustadora no ar dos rumores da separação, os fãs não deveriam ficar muito preocupado ainda. Todas estão claramente comprometidas em ser a torcedora da outra, uma generosidade que frequentemente se extende para fora do grupo. O ativismo de Jade pelos direitos LGBTQIA+ foram documentadas há um tempo, e todo o ativismo do grupo, mais recentemente com o poderoso documentário de Leigh-Anne sobre as políticas de raça na indústria musical.

“Há ainda um longo caminho para percorrer, mas tanto está mudando que eu nunca achei que seria possível,” ela sorri. “As coisas parecem sim, esperaçosas.”

Problemas sociais a parte, o trio verdadeiramente parecem estar num lugar contente. Quando feita a decisão de fazer o Greatest Hits, elas manteram as coisas simples, apenas adicionando as músicas novas que realmente pareciam certas.

“Quando fomos ao estúdio nós não pusemos pressão alguma: as músicas novas são literalmente mais do que as pessoas amam da Little Mix,” disse Jade.

Com tantos hits para escolher entre, algumas músicas mais antigas inevitavelmente foram retiradas;

“Oops pode ir para a lixeira na minha opinião – sem ofensa,” confessa Perrie.

Enquanto Leigh-Anne está feliz em dar adeus a ‘Change Your Life’:

“Apenas porque me fizeram falar nela, e eu não consio fazer nada a não ser sentir vergonha de mim mesma toda vez. Desculpa!”

Apesar de que os vários destaque da sua década juntas pudesse fazer incontáveis memórias, elas retornam a vitória do BRITs como o auge coletivo delas; um emblema de exatamente o quão longe eras chegaram como um grupo.

“Quando nós 3 andamos até aquele palco, olhei para as duas, e pensei tipo, nós conseguimos porra!” disse Jade. “Nós passamos por tanta coisa, ainda estamos aqui, nós 3, e estamos sendo ditas por essas pessoas renomadas na indústria, que FINALMENTE após 10 anos, somos merecedoras desse prêmio. Eu sei que quando está morta ninguém liga para o que tem em sua prateleira, mas para mim, pareceu uma mensagem para que a indústria pense tipo, ‘Isto é maravilhoso, mas demorou pra caralho.’ Houve tanto momentos ótimos, mas esse em particular, pareceu que o tempo parou.”

“Nós 3 no palco ano que vem na turnê, acho que vai ser o momento em que olharemos ao redor e pensaremos, nossa,” disse Leigh-Anne. “Me sinto tão completa pessoalmente; eu cheguei tão longe comigo mesma, mas também ser capaz de olhar para nós e pensar em DEZ. ANOS. REVOLUCIONÁRIOS! Tipo, nós fizemos ISSO, sabe?”

“Demos tão duro, e estamos tentando fazer as coisas mudarem na indústria,” concorda Perrie. “É isso o que queremos, continuar mudando a opinião das pessoas. E você sabe,” – ela imita um sotaque australiano, um clássico da Little Mix – “Apenas queremos continuar fazendo do mundo um lugar melhor!”

Pegando emprestada uma frase pop icônica, o futuro de Little Mix ainda é muito não-escrito. Elas têm se mantido ocupadas; bebês, aniversário de 30 anos, uma marca de roupa para Perrie e um novo projeto para Leigh-AnneThe Black Fund – que a permite apoiar caridades e grupos comunitários negros. No lado musical das coisas, Perrie não descarta a ideia de Little Mix fazer pop-punk (“Olivia Rodrigo e todo o retorno daquele som – é algo que quero!”), enquanto Jade tem emprestado suas composições para o K-Pop, trabalhando com o grupo de 9 membros, Twice, no seu mini-álbum, ‘A Taste Of Love’.

“Uma coisa que eu amo sobre o K-Pop é que é pop e não estão nem aí, e a cultura respeita e apoia essa ideia,” ela diz. “Não há julgamento de como uma música deve se comportar; você pode escrever uma música de pop pura, brincar bastante com ela, e esses grupos adoram e gostam disso. Não está muito longe do que nós fazemos – talvez um pouco mais irônico as vezes.”

Onde quer que a jornada musical delas as leve na próxima, uma coisa é muito clara; Little Mix estão mais inclinadas ao seu poder. De meninas à mulheres, o caminho da resiliência que elas percorreram para si sem dúvidas facilitou para outros artistas seguirem, sabendo que podem suceder sem jogar fora sua voz no processo.

“Por muito tempo, estivemos aterrorizadas,” disse Jade. “É assustador quando você não se sente educada o suficiente, e quando é uma estrela pop, as pessoas meio que acham que você deve apenas fazer o seu trabalho, ser um rostinho bonito e calar a porra da boca. Se está em entrevistas e fala uma coisa errada, é nisso que as pessoas focam. As consequências disso é que é meio intimidador e te deixa com medo de falar algo de novo, mas ao passar dado anos e você amadurece e se educa mais e mais, você constrói essa resiliência para esse tipo de merda.”

Mesmo que numerosos homens tenham tentado derrubar Little Mix com o passar dos anos, isso apenas serviu para as fortalecer.

“A primeira vez que falei propriamente no Twitter, foi falando sobre os ataques aéreos sírios. O massacre de desgosto vindo de políticos masculinos – ao invés de me deixar cagada de medo, literalmente me fez pensar tipo, foda-se,” Jade ri. “Isso iniciou algo dentro de mim; sei que estão assustados, e sei que estão tentando me diminuir, e é porque sabem que temos uma enxurrada de jovens fãs que podem ser ensinados a falar quando vêem algo que não é correto.”

“Acho que nós 3 tivemos esses tipos de momentos durante nosso caminho, onde achamos a força para falar,” ela continua. “Acho que chegamos em um momento das nossas carreiras onde finalmente ganhamos o respeito para fazermos isso. Definitivamente levou mais tempo do que deveria, mas sabe, aqui estamos nós!”

E é aqui que esperamos que Little Mix mantenha-se: engraçadas, empáticas, sinceras e, francamente, muito mais verdadeiras consigo mesmas do que muitas de suas críticas. Elas chegam muito longe, então o que são mais outros dez anos? Qualquer que seja o tempo, o delas é uma bolha pop que nunca queremos estourar.

 

Fonte: DIY Magazine

Tradução e adaptação: Equipe Little Mix Brasil

 

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